Yoga e transformação


 

Todo mundo quer ser Feliz, sem exceção.Muitos acreditam que essa tal felicidade seja alcançada pela obtenção de riquezas, outros, no encontro da pessoa amada, e há também aqueles que simplesmente procuram na grama do vizinho! Onde será que ela está?

Quase todos nós já experimentamos vislumbres de paz profunda quando nos sentimos conectados com nós mesmos, com os outros, ou com a natureza.

Curiosamente, esse estado de bem-estar e de conexão não é algo que possamos fazer acontecer quando queremos, ele nos chega espontaneamente; o que acentua a importância de estarmos atentos ao momento presente. Quando nos perdemos no tempo, passado ou futuro, perdemos também a conexão com esses momentos de plenitude.

E o Yoga é a ciência para alcançarmos esse momento. É a chave para nos liberar da nossa amnésia espiritual, para nos ajudar a redescobrir tudo aquilo que já sabemos. É um caminho que nos faz lembrar da nossa verdadeira natureza, que é pacífica e contente. É uma forma de estabelecer uma conexão com a matriz do nosso ser, com as forças que governam a natureza de uma forma harmônica, e que uma vez estabelecida, faz com que o estado de serenidade se torne o seu estado permanente e não mais uma rara exceção. Ou seja, fazer Yoga é como fazer uma faxina nos órgãos de percepção para podermos enxergar tudo aquilo que está escondido dentro de nós. Quando limpamos a janela de nossa casa e olhamos para fora, percebemos coisas diferentes das que víamos até então. Entretanto, sabemos que nada mudou, tudo continua como sempre foi; apenas agora podemos enxergar o que estava escondido pelas vidraças sujas. Da mesma maneira, o Yoga não é uma forma de auto-aperfeiçoamento ou uma ferramenta para nos tornarmos melhores do que já somos, mas sim um processo que ajuda a desconstruir as barreiras que podemos ter construído e que estão obstruindo a nossa visão do mundo. Este é um ponto importante, pois, se imaginarmos que devemos sempre melhorar, podemos acabar nos punindo e sendo agressivos conosco mesmos, criando infelicidade e frustração. Não temos de nos tornar algo diferente do que já somos, apenas Reconhecer  a nossa verdadeira natureza. Mas existe um trabalho a ser feito. E esse trabalho não vem acompanhado de fórmulas definidas, nem significa que devemos seguir regras estabelecidas. O Yoga é uma maneira de viver que torna possível a felicidade. Não é necessário que acreditemos em nada que não possamos testar por nós mesmos e termos uma experiência direta. O grande paradoxo desse “trabalho” é que não existe nenhum premio a ser conquistado, a prática é o próprio premio. No exato momento em que focamos nossa atenção no corpo, na respiração e no momento presente, experimentamos uma sensação de quietude interior. Essa sensação é tão poderosa que nos faz querer retornar a ela e, assim retornar à nossa prática. Com isso, acabamos fazendo escolhas que favorecem e nutrem esse estado para que possamos permanecer com essa sensação de bem estar e paz interior. E não é preciso abrir mão de hábitos ou de coisas das quais gostamos. Com o passar do tempo, e sem nenhum esforço, começamos a fazer escolhas que naturalmente irão alimentar esse estado.

 

À medida que se aprende a ficar mais consciente, o Yoga se torna um guia muito rico que ensina o que fazer no tempo livre quando não está se fazendo a prática. Nem sempre é fácil acessar essa consciência elevada durante uma prática de Yoga.  Uma maneira de encontrar essa conexão é ficar mais atento às escolhas que se faz diariamente e como elas podem afetá-lo, à sua comunidade e ao mundo a sua volta. Talvez esse ano você queira cuidar melhor do seu corpo, ajudar o próximo ou reduzir o impacto no planeta.  Qualquer que seja sua intenção, quando se fazem mudanças positivas com base na auto percepção, é possível conectar-se com seu eu verdadeiro e entender porque se faz isso.

Transformação é um processo complexo que envolve muitos níveis ao mesmo tempo. Se pararmos para refletir, perceberemos que a maioria das mudanças que fazemos é superficial, mero agito de mentes distraídas que se entretêm com a ilusão do dia a dia. Se quisermos mudanças verdadeiras e duradouras em nossas vidas, temos de ir alem das sete ondinhas e mergulhar com coragem no oceano de nós mesmos. Isso é significado, mas é também mais trabalho e alguma incerteza. Mudar ou Transformar, e a decisão, como sempre, é somente nossa.

 

Talvez você ainda não esteja pronto para uma transformação radical, que implica deixar muitos valores e comportamentos para trás. Portanto, comece com mudanças pequenas, como estas sete atitudes que ajudam a entender a si mesmo, conectar-se com o mundo e viver no Yoga.

 

 1 – Mude de Perspectiva

Mude radicalmente seu visual, quebre a rotina, pegue um caminho diferente para ir trabalhar, experimente uma comida nova, faça uma aula com um professor que você nunca praticou antes. Então perceba como uma simples mudança pode afetar a maneira como você vê as coisas. Nosso mundo é baseado nas coisas que percebemos. Isso significa que a única coisa que sabemos sobre o mundo é que estamos vivendo nele com o que percebemos. Mudar a perspectiva, fazer uma viagem para outro país ou a um lugar diferente, sentar-se numa mesa diferente em um restaurante pode fazê-lo enxergar como suas percepções eram condicionadas. Essa consciência pode enfraquecer o apego às suas percepções e abrir o coração para as mudanças.  Ver o condicionamento da percepção é um aspecto essencial do caminho yóguico da libertação.

 

2 – Experimente o silencio

Fique alguns minutos em silencio.  É quando a mente entra num estado de aquietamento de conforto sem conflitos, sem discussões. A mente simplesmente fica quietinha e relaxada, sem necessidade de justificar. Praticar o silêncio também pode ser uma maneira de conservar a energia vital. Pode parecer uma tarefa praticamente impossível de se realizar. Podemos até ficar sem pronunciar palavras ou emitir sons durante um tempo, mas a cabeça, essa não para nunca de tagarelar.

Você pode começar ficando sem falar por 10 minutos e depois prolongar o tempo até um dia inteiro. No começo, ficar quieto pode deixá-lo agitado, mas simplesmente perceba a necessidade para falar ou absorver a idéia e a palavra de outras pessoas. Aprecie os ruídos dos ambientes, como o canto dos pássaros, o vento, o movimento das pessoas, até mesmo o transito. A arte do silencio parece nascer no “descanso” do cérebro e atingir as camadas mentais, em seus vários níveis e profundidades, predispondo-as à manutenção do silencio.

 

3 – Seja Criativo

Faça um pão, tricote um cachecol, costure uma saia, aprenda a tecer ou pinte um quadro. Criar algo pode ser uma maneira de enriquecer o mundo, mas fazer alguma coisa com as próprias mãos pode ser uma forma de meditação ativa. Uma oportunidade de fazer uma pausa nos pensamentos conscientes e conectar-se com o lado criativo.

 

 

 

4 – Não Desperdice

Comprometa-se um dia da semana a não usar produtos descartáveis. Leve sua própria comida para o trabalho em um pote. Carregue uma sacola ecológica para tudo que comprar, não apenas frutas e verduras. Note o que é obrigado a jogar fora, seja uma embalagem de plástico do sanduíche ou rótulos de garrafas e vidros. Não fique desencorajado se conseguir um dia sem desperdícios parecer mais difícil do que imaginava. Apenas estar consciente sobre aquilo que está descartando provavelmente o conduzirá a outras mudanças  que trarão grandes efeitos ao meio ambiente. Prestar atenção naquilo que consumimos e descartamos é uma prática de percepção diária.

 

5 – Faça uma Oferenda

Comprometa-se a fazer um ato sem interesse de troca toda semana. Você se surpreenderá como a simples ação de ajudar uma pessoa com necessidades especiais a atravessar a rua pode cultivar o senso de conexão, respeito e bem estar em relação aos outros. Traga um lanche para um colega ocupado; cuide do filho de uma amiga por uma tarde; dedique-se a trabalhos comunitários. Esses momentos são a chance de compartilhar com alguém experiências do mundo e perceber a riqueza da sua própria existência.

 

6- Restaure Saúde e Felicidade

Como um antídoto para sua batalha para alcançar sucesso em tudo que faz, (incluindo asana), dedique uma prática por semana a posturas que aquietam, nutrem e o deixam centrado. Comece com uma prática restaurativa sentando-se quieto, por alguns minutos para conectar sua respiração. Depois, aqueça com um movimento que alonga os músculos, como a postura do gato, postura com as pernas na parede. Termine com um longo savasana (postura do cadáver). Domingo à noite é a melhor hora para essa sequencia, que o ajudará a descansar da semana que passou e a começar a próxima revitalizado. Com o tempo a prática restaurativa aprofundará sua percepção.

 

7- Ame seu Corpo

Pelo menos uma vez por semana de ao seu corpo um tratamento de saúde e beleza. Tratar do corpo com amor e compaixão em uma rotina de cuidados é uma boa maneira de experimentar gratidão por seu corpo e tudo que ele lhe permite fazer.

 

Texto extraído da Revista Prana Yoga Journal  - abril/2009