Consciência respiratória

 

 

Comece com a consciência básica na respiração, uma simples pesquisa. A melhor forma é ficar em silêncio e usar a percepção para sentir o movimento interno da respiração.

Encare esse começo como um encontro com um desconhecido.

Para começar, deite de costas. Depois de se acomodar por alguns minutos, leve sua atenção à respiração. Perceba onde ela se movimenta por você. Quais partes do corpo movem conforme você inspira e expira? Você sente a respiração mais intensamente na barriga ou no peito? Na parte da frente ou de trás do corpo? À direita ou à esquerda?

Depois de familiarizar-se com a localização da respiração, perceba o fluxo. É rápido ou lento? Profundo ou superficial? E o que é mais longa, a inspiração ou expiração? Há uma pausa no final da inalação ou exalação?

Os ciclos são uniformes ou imprevisíveis?

Você pode estudar a sensação da respiração. É suave ou áspera? Quente ou fria? Úmida ou seca? Leve ou pesada? Alguma cor, imagem ou emoção vem à mente enquanto você respira? Lembre que você não está tentando mudar a respiração, só tentando entende-la.

Quando sentir que sua exploração está completa, pare de observar a respiração e deixe que sua consciência   se espalhe por ela. Fique nesse ponto por alguns momentos e perceba como essa prática mudou você.

Sente-se confortado? Frustado? Encantado? Confuso? Mais vivo? Incerto?

No começo você pode sentir-se um pouco perdido – como um viajante sem mapa.

Mas depois de algumas semanas, meses e até anos, você descobrirá uma coleção de sensações e sentimentos associados com a respiração. Vai começar a amar esse país que começou a habitar. E vai se perguntar como pode viver tantos anos sem a consciência da real sensação de respirar...

Reserve pelo menos 15 minutos para praticar esse encontro, e não deixe de fazer pelo menos uma vez por dia. É a freqüência que traz as melhores surpresas.



Poema

 

Trinta raios fazem uma roda

Mas somente o vazio entre os raios

É que faculta o movimento do carro.

 

O oleiro faz um vaso manipulando a argila,

Mas é o oco do vaso que lhe dá utilidade.

 

Abrem-se portas e janelas para que haja um quarto,

Mas é o vazio entre as massas

Que dá utilidade ao quarto –

 

Por isso, o manifesto é o objeto de posse,

Mas sua utilidade está no não-manifesto.

 

A substância do corpo ganha vida

Quando se cuida da parte que não está preenchida

 

Lao Tzu

 

Fonte: O poder do Agora – pag.131

O não manifesto é a fonte do chi. Chi é o campo de energia interna do nosso corpo.

É a ponte entre o nosso exterior e a Fonte. Situa-se no meio do caminho entre o que está manifesto, que é o mundo da forma, e o Não Manifesto.