O conto da Rã e o Yoga

 

 

Esse conto extraído do livro  “O livro tibetano da vida e da morte” de Sogyal Rinpoche, fala da história de uma antiga rã que passou toda a sua vida em um poço minúsculo. Um dia, uma rã do oceano veio visitá-la.

“Olá!”, disse a rã do oceano.

“Olá, companheira”, disse a rã do poço. “Bem vinda ao meu poço. E desculpe perguntar, mas de onde você vem?”

“Venho do Grande Oceano”, respondeu a rã.

“Nunca ouvi falar desse lugar”, disse a rã do poço. “Mas tenho certeza de que você deve estar encantada de ver minha magnífica residência. O seu oceano é pelo menos ¼ do tamanho de minha morada?

“Ah, não, lá é maior”, disse a rã do oceano.

“Então é metade disso daqui?”, perguntou a rã do poço.

“Não, é ainda maior”.

A rã do poço mal podia acreditar no que ouvia. Ela continuava cética e perguntou: “Lá é tão grande quanto o meu poço?”

“Seu poço não seria nem mesmo uma gota no Grande Oceano”, respondeu a rã.

“Isso é impossível!”, gritou a rã do poço. “Vou ter de ir lá com você e ver o real tamanho desse oceano”. Após uma longa viagem, elas finalmente chegaram. Quando a rã do poço viu a imensidade do oceano, ela simplesmente não conseguia aceitar o fato, de tão chocada que estava, e sua cabeça explodiu.

 

 

Quase todos tendem a pensar como a rã do poço. Agimos como se a visão de nosso poço fosse a única verdadeira, como se a nossa turma ou qualquer grupo de que tomemos parte fossem os melhores.

E assim seguimos alegremente pelo nosso mundinho. Enquanto isso, o universo nos cutuca, tentando nos alertar, para que possamos observar o que realmente está acontecendo. Quando não “pescamos” a dica, quando optamos por não abrir nossos olhos de forma consciente, o universo nos cutuca um pouco mais forte. E então nos perguntamos como isso pode acontecer. Assim como uma casa que vai sendo destruída por cupins, a estrutura em que acreditávamos vinha sendo destruída por anos, mas não nos demos conta. Quando a casa finalmente colapsa, é um tremendo choque. Aceitar o Yoga como uma disciplina é um modo consciente de concordar em nos manter abertos, em derrubar as paredes desse frágil abrigo antes que elas desabem sobre nós.

 

Texto extraído da revista Prana Yoga Journal – fev/09 – pag.80.